sexta-feira, 30 de novembro de 2007

UMA NAÇÃO DE APERTADORES DE PARAFUSO


Está lá no Blog do Diego do dia 29/11: "Metade das empresas quebram no Brasil em apenas 8 anos". Os dados revelados na coluna são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas, no Jornal Nacional, no Jornal da Band e em todos os outros que fazem parte da mídia de grande alcance (no caso do Brasil, rádio e TV) as "chamadas" diárias revelam um outro Brasil:

- Há crescimento de emprego (mesmo que seja o do de catador de lata),

- Há crescimento da produção industrial (mesmo que seja o do da indústria de bens primários),

- O IDH (índice de desenvolvimento humano) é o melhor de nossa História (mesmo que este índice só tenha sido criado depois dos governos militares, no caso do Brasil, e que quando, certamente, os índices seriam infinitamente superiores, pois o Brasil simplesmente saiu da posição de 46 economa mundial para a 8),

- A produção e a venda de automáveis cresceu e bate récordes (mesmo que a razão disso sejam os financiamentos em 3 anos com taxas de juros que fazem o sujeito pagar quatro vezes o valor real do veículo que comprou, mas que ele acaba optando por pagar assim mesmo porque os sistemas de transporte urbanos são péssimos - fora os riscos de assalto),

- As vendas de bens de consumo duráveis crescem (mas, pelos mesmos motivos que crescem as dos automóveis - prazo e crédito), assim como também crescem as vendas nos supermercados (mesmo que seja simplesmente porque até comida esteja sendo comprada com crédito....)

- E o Natal deste ano vai bater récorde no volume de vendas (mesmo que seja pelo fato de que a cada roupa produzida no Brasil que deixará de ser vendida - por causa do preço e da covardia das condições de concorrência - serão vendias 30 blusinhas "made in China" - ou equivalentes - por 1/3 do preço, mas que são fruto de mão-de-obra escrava (escravidão essa que chegará por aqui, mais cedo do que se pensa... justamente por questão de "sobrevivência me engana que eu gosto" do mercado).

Com um detalhe a esclarecer: o pessoal não compra blusa produzida por escravos porque queira "levar vantagem em tudo", não - é porque precisa se vestir - até mesmo para alimentar a indústria da moda, que de supérflua só tem o nome, pois emprega milhões de pessoas no mundo todo - e não tem outra opção. O mesmíssimo raciocínio pode ser usado para explicar a "febre" do consumo de DVDs pirata, que são vendidos a R$ 5,00 cada. Quem é que compra esses DVDs? A nova classe média da informalidade e a nova elite endinheirada do socialismo (ambas pelo mesmo motivo: a cultura da ignorância e da falta de educação) e, mais recentemente, pela velha classe média, em indisfarçável decadência financeira, para a qual, infelizmente, levar a família ao cinema passou a ser "programa de rico". Todos, porém, o fazem por uma simples e óbvia razão: "a gente não quer só dinheiro - a gente quer cultura, diversão e arte".

Voltando às empresas, como diz lá no Blog do Diego, "É dura a realidade para o empreendedor brasileiro: burocracia, carga tributária asfixiante e um governo que só entra para retirar dinheiro, oferecendo quase nada em troca. O resultado não poderia ser outro - mais da metade das empresas quebram no Brasil em apenas 8 anos".

De acordo com o IBGE, das 738 mil criadas no país em 1997, apenas 51,6% continuaram funcionando até 2005, sendo que mais da metade deste percentual veio a fechar as portas depois de 2002. Outro dado grave: os índices revelam que as empresas que mais resistiram foram as que tinham um mínimo de 100 pessoas empregadas - o que, para um país como o nosso, pode significar o mesmo que um negócio de médio porte para cima. Ou seja, o pequeno empresário, que é o maior empregador de mão-de-obra nacional e que também é responsável pela diversificação (e até pela criatividade) de nosso mercado, não está conseguindo prosperar no Brasil.
As conseqüências disso são evidentes: crescimento desproporcional do mercado informal - leia-se "se-virismo" -, aumento exacerbado do número de trabalhadores a espera de um emprego (o que concorre para desvalorizar os salários e para à marginalização cada vez maior dos indivíduos que possuam menos recursos de formação intelectual - é o caso, por exemplo, de homens que falam até duas ou três línguas estrangeiras e que acabam trabalhando como motoristas, ou o de pessoas com nível superior que acabam tomando as vagas oferecidas para gari nos Estados).

Todo esse ciclo de "bons ventos" da economia movida a crédito, com farta redistribuição "robinhoodiana" de terras e de renda (que não é renda, é salário) - DOS OUTROS, é claro - por parte do governo, vai transformar o Brasil numa terra de três classes - os milionários da nomenklatura, a classe dos que trabalham (para morar, comer e consumir - tudo mal - e, é óbvio, pagar impostos) e a classe dos miseráveis (o exército dos despossuídos dispostos a tudo para não deixar de receber as esmolas de seus ídolos da nomenklatura). Vai transformar o Brasil na potência da indústria extrativista e de bens primários. Vai transformar os brasileiros num bando de "apertadores de parafuso", incapazes de agregar intelectualidade reflexiva às suas atividades produtivas - vai transformá-los num bando de papagaios obedientes ao governo, conduzidos pela mídia grande irmã.


Rebecca Santoro
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